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sábado, 19 de julho de 2008

Bem aventurado os pobres


Norte de Burkina Faso Junho e Julho de 2008

Bem aventurado os pobres.
- Jesus Cristo

Paz do Senhor esteja com todos os amantes de missões que acompanham meu ministério. Lendo C.S.Lewis copiei a seguinte frase sobre o texto que citei acima : Quando Jesus disse os pobres, não se referia apenas gente sem dinheiro, mas das pequenas, vis, tímidas, pevertidas, covardes e solitários, dos passionais sensuais e desequilibrados. Para esses quando tentam serem bons percebem logo que precisam de ajuda. Para os pobres ou é Cristo ou nada. São elas as ovelhas perdidas. Jesus veio especialmente para as perdidas em outras palavras os esfarrapados com os quais ele caminhava quando estava em carne aqui na terra.

Lendo essa explicação me dei conta de onde estou e com quem estive durante estes três anos de África, muito foram os sofrimentos e as lágrimas por este povo a qual Deus tem colocado um peso em meu coração(Os fulanis). Consegui sorrir muitas vezes e saltar de alegria nos momentos em que tomávamos chá juntos a tarde sentados no tapete típico chamado Naate. Por que estou escrevendo isso ? Simplesmente por que comecei nesse mês a desfazer o «mundo» a qual estive vivendo onde falava outra língua, comia diferente e me comportava de forma totalmente diferente do que o Cearense se comporta. Nessa semana quando desliguei o Gás de minha casa para mudar o Botijão para a casa do Pr. Jefferson onde irei morar um mês antes de partir para o Senegal senti o baque e quase chorei na frente de um povo que não chora. Orei em silêncio pois só Deus sabe o quanto eu cozinhava com amor para os pobres que na minha casa chegavam mesmo sendo pouco, sempre eu compartilhava pois quem mora só sabe o quanto é difícil comer sozinho e cozinhar para uma pessoa(Penso eu).


As demais noticias é que graças a Deus as chuvas chegaram e com ela o trabalho de cultivar os campos de gawri (milho típico) tenho empregado boa parte do tempo a esta atividade pois esse ano não poderei colher, apenas ajudar aos demais fulanis na plantação. Louvado seja a Deus que o Baloowo camelo que temos usado para arar a terra, tem diminuido o trabalho custoso e duro.
Desejo que os irmãos orem mais uma vez pelo Adamar, pois sua enfermidade tem se agravado muito, ele tá pesando só 35 kg e tem tido dificuldade para se alimentar. Fui obrigado mandá-lo para Djibo, pois no interior não daria para ele ficar devido a falta de alimento apropriado.

Uma boa notícia que tenho para dar aos irmãos é a aproximação que o Ramam filho do Adamar que antes não queria que eu orasse pela comida antes de comer, está cada vez mais pronto a escutar a palavra e comentar sobre sua vida. Ele sempre foi garibu e nunca teve estudo normal, esteve por anos nas mãos dos marabus e só agora depois de três anos que está tendo um contado com a religião cristã. Deus tem me dado um amor muito grande por esse Jovem, desejo que Deus liberte-o do engano do Diabo e traga ele para sua maravilhosa Luz.
Oremos pelo Ramam.

Termino deixando um agradecimento para todos os que estão
Intercedendo pela cura de minha mãe que está doente .Que
Realize sua boa e perfeita vontade em todos os aspectos.

No amor daquele que jurou por si mesmo que abençoaria todos
Os povos da terra. Hb 6.13

Cristiano Carneiro da Silva
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Casamento Africano e a luta de quem da mais.


- Casamento Africano e a luta de Quem da mais. -



" Era Abraao ja idoso, bem avancado em anos; e o Senhor em tudo o havia abencoado. Disse Abraao
ao seu mais antigo servo da casa: [. . . ] jura pelo o Senhor, Deus dos ceus e da terra, que nao tomaras
esposa para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito.

Tomou o servo dez dos camelos do seu Senhor e levando consigo de todos os bens dele, levantou-se
e partiu, rumo da Mesopotamia, para a cidade de Noar. Fora da cidade, fez ajoelhar os camelos junto a
um poco de agua, `a tarde, hora em que as mocas saem e tirar agua. E disse consigo: O Senhor, Deus
de meu senhor Abraao, rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abraao!
Eis que estou ao da fonte de agua, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar agua; dar-me,
pois, que a moca a quem eu disser: Inclinar o cantaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei
ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; nisso verei que usaste
de bondade para com meu senhor."



Acabei de chegar de uma cerimonia na cidade de Tenkudugo, cerca de 139 km da capital de Burkina.
A uniao de Hamam e Hawa se deu de forma bem simples e bem diferente daquilo que para nois Brasileiros
seria um casamento. O noivo e de uma etnia chamada Shonghai, a noiva Moussi pertence a etnia predominante
em Burkina.

Hawa `e crente devido a influencia de seus tios que sao pastores numa localidade proxima,
mais toda sua familia e mulcumana. Hamam conheceu Hawa quando a mesma tinha apenas 15 anos
segundo seu relato ele guardou isso em segredo durante tres anos nao revelando nem mesmo para seu
pai a quem ele tem muita confianca. Segundo atradicao local o casamento deve ser feito atravez do dote
(Dinheiro pago pela moca aos parentes). Seu esposo trabalhou muito para guarda o dinheiro e comprar
sua esposa, quantia que varia entre duas vacas, 200 dolares etc . . . O preco e fixado pelos parentes.

Na Africa antiga nao realizava-se casamento assinando papeis e envolvendo o governo, tudo era feito no
vilarejo de forma bem rustica e ligado a tradicao local. Prova disso que hoje existe um nivel de divorcio
alarmante entre as tribos do Sahel Africano. Como nao existe nada assinado diante da lei por qualquer motivo
os africanos deixam sua esposa e casam-se denovo, uma vez que a mulher nao agrada a solucao `e simples
basta casar com a segunda mulher e ignorar a primeira mesmo que ela continue morando na mesma casa.
Depois de um dia cansativo para o meu amigo Shonghai seu coracao estava alegre pois antes da cerimonia
final so faltava assinar o papel na prefeitura local diante da comunidade. Ele e um exemplo contra a mentalidade
local e os argunmentos nao cristaos a favor da Poligamia.

Tais como:

1- Na sociedade tradicional e muito importante para o homem manter seu nome nas geracoes futuras.

2- Ligada a continuidade do nome de familia esta a ideia de que tendo muitos filhos e netos, a pessoa
sera lembrada e honrada por muito tempo apos a sua morte.

3- Nas sociedades agricolas, ter varias esposas e uma maneira de ter muitos filhos e , com isso os trabalhadores
necessarios para a agricultura, a criacao de gado e o cuidado da casa. Uma comunidade familiar grande e vista
como um sinal de forca.

4- Como e comum que as mulheres africanas se recusem a ter relacoes sexuais com seu marido por ate dois anos
apos o nascimento de um filho, ter varias esposas e uma maneira de o marido evitar a imoralidade sexual.

5- Como a cultura africana tem valores comunitarios muitos fortes, ter muitas esposas garante uma familia grande,
que e considerada o meio para aumentar a felicidade e o senso de realizacao na vida.

6- Se alguem muitas filhas, sua riqueza aumentara significativamente com o pagamento do dote, quando elas casarem.

7- A poligamia resolve o problema das maes solteiras.

8- Em muitas tribos ha a conviccao de que e muito ruim ser solteira e nao ter filhos. Por causa disso, muitas mulheres
africanas preferem ser mais uma esposa de alguem que ja tem outras, do que ser solteira. Tambem ha a ideia de que
uma mulher que fica solteira induzira os homens a imoralidade sexual e trara vergonha para a comunidade.

Como estes argumentos mostram, a poligamia faz sentido do ponto de vista tradicional. Mais a Biblia e clara que
a poligamia nao e a vontade de Deus. Do mesmo modo, na Africa os efeitos negativos da poligamia continuam de
geracao para a outra, apesar dos argumentos levantados em favor dela. O sofrimento emocional, ciumes e competicao
entre as esposas e filhos nas familias poligamas demonstra que essa forma de casamento nao passa de convigencias
egoista. A poligamia nega a mulher a realizacao emocional que Deus queria que ela tivesse, recebendo com exclusividade
o amor e atencao do seu marido.

Nao ligando para todos os argumentos Hamam e Hawa comecaram sua nova vida como um casal cristao dispostos
a serem luz na pequena cidade onde moraram (Djibo). Apos receberem as bencaos dos pastores que estavam
na reuniao, participamos de uma recepcao com direito a musica tipica, danca e comida a vontade.

E a lua de mel ?

Uma coisa que me chamou atencao foi que o casal nao foi para nenhum local progamado visando passar a famosa
lua de mel a qual nos ocidentais conhecemos. O Casamneto aconteceu no sabado e por incrivel que pareca no domingo
eles deveriam esta na escola dominical. Existe uma tradicao local onde a esposa deve receber conselhos das mulheres
mais velhas do vilarejo. Os presentes que variam entre panelas, roupas e utensilios para a casa sao entregues durante
a noite. Depois de muita musica e danca com varias criancas presentes o casal dormiu na casa dos parentes algo normal
como se fossem apenas amigos. Nao perguntei para onde eles iriam na lua de mel pois temi que isso nao existisse na
cultura.

A parte do Pai e mae dos recem casados
Os parentes tem uma funcao muito importante em todo processo durante o casamento e apos. Eles sao testemulha da
alianca e seriedade do fato ocorrido naquele dia. O pai de Hamam muito nos agradeceu pois no casamento de seu filho
ele tivera recebi do quatro estrangeiros e varios pastores. Sua alegria foi tao transbordante que disse que so iria parar de
nos acgradecer por haver participado de seu casamento quando chegassemos no ceu. Fomos bem tratatos e a hospitalidade
dessa familia tao simples marcou nossos coracoes de formal especial.

Conclusao
Durante o tempo que passamos em Tenkudugu foi visivel a comunhao e a alegria do Senhor entre essa cerimonia tao
importante, prova disso e que o apostolo Paulo fez uma comparacao entre nos com sendo a Noiva e Jesus sendo o
noivo. Hamam e prova do amor de Deus e de sua infinita graca que diariamente esta em acao mesmo entre os nao - alcancados
da Janela 10.40. Ao retornar para Djibo cidade a qual o casal vivera eles teram um novo desafio que e a vida a dois
deverao ser exemplo para seus visinho mulcumanos que nao conhecem a verdadeira uniao e felicidade que Cisto traz
para o Lar. Hamam atualmente trabalha num polo de Lazer criado por missionarios da Australia, durante o final de semana
ele ensina em nossa igreja Local para as criancas. Encorajo a cada um que leu este pequeno artigo a interceder pela vida
nao so de Hamam e Hawa mais sim de todos os casais que vivem nessa zona ao norte do Pais. Que a Luz de Deus venha
clarear as trevas nas familias e que o maior preco seja aceito que fooi o sangue de Jesus pois pagou de uma vez por todanossas almas resgatando do poder de satanas.

Para Mudar o mundo basta mudar as mulheres.


Para mudar o mundo basta
mudar as mulheres.
- Ditado Fulani


De muita coisa que vivo aqui o que mais me chamou atencao foi a situacao que passam as mulheres Fulanis prova disso e a rotina de uma dona de casa:


1-Levanta -se cinco da manha para fazer a primeira oracao mulcumana.


2-Em seguida ela pila o milho para fazer o Pumari (cafe da Manha)


3-Esuenta o resto de comida da noite(Itol Hoyre) para as Criancas


4-Ela vai ao Curral tirar leite das vacas


5-Prepara o cafe da Manha


6-Ela Varre a Casa e o quintal


7-Ela lava os Kakes Loucas do cafe da manha


8-Ela vai ao poco encher os reservatorios de agua


9-Ela ajeita os temperos para o molho


10-Ela se ocupa de providenciar a madeira para o fogo


11-Si der tempo ela vai tecer os fios para fazer os tapetes tipicos (Nates)


12-A tarde cai e ela comeca pilar o milho denovo para a Janta.


13-Ela prepara o Nyiri (Comida tipica)


14-Ela vai buscar o leite e distribuir na vila
depois de jantar ela arruma o tapete para as criancas dormirem


15-Ela encontra tempo para conversar com outras mulheres antes de dormir


16Enfim ela dormi mais antes deixa o local da oracao das cinco da manha pronto (Juulirde)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007


Durante o periodo em que estava estudando teologia lembro-me da historia
contada nos livros apocrifos de Daniel, onde relatava a sabedoria do profeta
em descortinar a falsa religiao babilonica.

A Historia conta que os babilonios tinham um deus a qual todas as noites
colocavam alimento e de manha os sacerdotes iriam para ver se os alimentos
foram comidos pelo idolo. Sempre que chegavam la encontravam o idolo
do lado o recipente da oferta totalmente vazio. O povo acreditava que o deus
havia sentido fome e se alimentado durante a noite, isso se reptiu ate que
um dia Daniel chamou atencao dos adoradores e lancou um desafio dizendo-lhes:
Esta noite veremos quem esta por tras deste deus eu mesmo vou colocar as
frutas e ofertas para o deus e amanha quero acompalhar o primeiro sacerdote
que faz seu turno pela manha. Todos foram de acordo nao retrucando em nada
a palavra de Daniel pois conheciam seu trabalho no reino.

Daniel pegou um saco cheio de cinza e colocou no patio do idolo fazendo um
caminho da porta ao altar, deixando a oferta la, Pela manha ao irem ver se
o idolo comeu ou nao encontrarm mais uma vez como de costume o local
onde fora colocado as frutas vazio, Daniel disse muito bem quero que voces
sacerdotes olhem essa pegadas que foram deixadas aqui durante a noite pois
ninguem poderia entra na sala durante o momento que o deus se alimentava.
A mentira foi descoberta, alguem estava tirando a comida do deus durante a
noite e dizendo que o proprio deus havia comido mais as pegadas foram
as provas do engano. Simples pegadas mais fortes demais para permitirem
que o povo estivesse no engano.

Essa pequena introducao mostra a inteligencia no ato de desvendar a trapassa
entre os adoradores na babilonia, as pegadas revelam coisas que so os pes de quem
pisou sabem.

Mamudu e filho de um lider islamico local na aldeia onde moro, faz tres anos que
o porprio deu sua cabeca a Jesus. (Expressao fulani parecida com aceitar Jesus)
Durante o tempo em que estava aprendendo a lingua passei tres meses morando
na mesma casa de palha que o Mamudu, nunca vi alguem tao paciente como
ele. Confesso que mesmo com mosquitos lhe pertubando de noite fazendo
aquele baru;ho insuportavel a qual ninguem aguenta, para Mamudu nao era um
incomodo nenhum. Um dia pela manha sua Buguro( Casa tipica de palha) foi roubada
duarante a noite por alguem que mora em Djibo (Vila mais proxima do vilarejo)
ao amanhecer do dia antes das 6:00 ele ja estava na casa do ladrao pedindo sua
mesa onde vendia os produtos no mercado. O ladrao ficou admirado de como
ele conseguiu encontrar sua casa tao rapido, em resposta a pergunta do bandido
mamudu sorriu e disse seus passos sairam de minha casa de palha ate aqui.
Ele conseguiu manter seus olhos firmes nos rastros do ladrao durante mais de 30 minutos
ate chegar a grande vila Djibo, cerca de 7 km de sua casa. Quando escutei sua
Historia fiquei perplexo com a precisao que Mamudu tem e pensei que essa era
mais um artes dos antigos fulanis.

Recentemente Mamudu entrou para trabalhar numa empresa que constroi
estardas, sua tarefa e vigia os materias que se encontram na rua durante a noite.
Ele trabalhou tres Meses pacientemente esperando seu salario e so recebeu
partes que ultilizou na compra de uma ovelha e um saco de milhet. Mesmo triste
com a forma que os patroes estavam usando para complicar o pagamento de
seu salario, Mamudu permaneceu firme como um bom cristao.
O Inverno chegou e durante uma chuva noturna alguem chegou e robou um carrinho de
mao, enquanto o vigia se abrigava na casa de uma amigo. Ao chegar no local dos
materiais e sentindo falta do carrinho de mao a primeira coisa que Mamudu fez foi
ultilizar sua tecnica estranha e bem diferente de seguir os passos do ladrao.
Devido a chuva as pegadas estavam dificies de se enchegar no escuro, agua, lama
rastro de carro e Bicicletas mesclavam a rua de bagadumba ( Nome do Vilarejo)
O Nosso espia fulani seguiu os passos sem vacilar ate ser pego de surpresa
pois os passos terminavam na casa de um dos trabalhadores do empresa de
construcao de estradas. Kaari (Expressao fulani de espanto)
Como confrontar um membro da propria organizacao que esta roubando os materias?
Assustado ele interrogou o suspeito sobre o roubo na noite passada, depois
marcou uma reuniao com todos os liders do trabalho na estrada visando mostrar
a situacao. Na reuniao Mamudu contou toda Historia de como seguiu os passos
e como as pegadas levavam a casa de um dos funcionarios, o chefe escutou
seu depoimento mais disse que nao poderia fazer nada pois se tratava de
um membro da empresa. Revoltado como a situacao Mamudu pediu as contas
e saiu do trabalho alegando que nao adiantava muito esta trabalhando de vigia
e os proprios empregados estavam roubando os materias. Alem do mais
ele nao estava satisfeito com os tres meses de atraso em seu salario.

Sem armas e nenhuma protecao este fulani conseguiu fazer esta apreensao
surpreendendo os chefes da consrucao, sua habilidade foi confirmada mais uma
vez assutanto os que nunca escutaram sobre tal arte. Se novo desafio uma
vez que nao esta mais no trabalho e cultivar um campo de milhet visando um
futuro casamento. Ele e responsavel por sua mae e irmao, seu pai casado com
a segunda mulher abandonou sua mae e irmao menor aos cuidados de Mamudu.

Por Cristiano Carneiro da Silva
sábado, 8 de setembro de 2007

Sunkunyas - 0s dominadores de almas


Sunkunyas - Os Dominadores de almas

Introducao: Desde minha infacia gostava de escutar Historias que os missionarios contavam sobre a Africa, isso despertou uma curiosidade de ler e estudar sobre esta terra tao comentada.
Ouvi missionarios dizerem que os Bruxos na Africa voavam, que o trabalho era duro chegando as vezes terem que comer macacos, cobras etc . . . Tudo isso me assutava muito como ate hoje me assusta, ao ponto de temer dentro de mim se Deus me chamasse para ser um missionario na Africa.
Essas Historias eram fantasticas, engracadas etc. . . mais nao me pareceiam reias ao meu ponto de vista. Os anos se passaram e com o tempo Deus mudou meu coracao e a forma de pensar a tal ponto de dar-me o privilegio de se tornar um menssageiro de seu reino. E como Ironia Divina hoje estou no SAHEL africano trabalhando entre os fulanis etnia semi nomade espalhada em mais de seis paises do Oeste Africano.
Entao como missionario aqui chegou a minha vez de relatar um pouco sobre o que tenho visto entre os fulanis e os demais povos nao -alcancados que compoem o SAHEL. O presente artigo nao se trata de mais um conto de Caroxinha, ou como dizem meus conterraneos historia pra boi dormi.

1- Cosmovisao Africana e a nossa.

E importante frizar que Sunkunyas nao e mais um povo nao alcancado da Janela 10.40
Confesso que morando aqui entre os fulanis entendo um pouco melhor sobre a cosmo visao dos povos do SAHEL. Lamento saber que entre os ocidentais sobretudo os cristaos existe uma descrenca em ralacao ao assunto que tratarei neste texto.
Nossa cosmovisao e voltada para o materialismo imediato que recebemos todos os dias atraves da tv, jornal e nossa vida diaria. Enquanto aqui no SAHEL o mundo Espiritual domina o Material, ou melhor o povo e voltado para o sobrenatural. Um bom exemplo e ver como um Africano descreveria a Vitoria da Franca sobre o Brasil na copa do mundo passada. Seria mais ou melnos assim : O Brasil perdeu nao por causa do tecnico que nao soube montar a equipe ou por que o Ronaldinho nao quis mostrar seu futebol, mais sim por causa de um espirito que segou toda defesa do time enquanto outro Espirito (Ginaji) Empurrou a bola para o gol do Dida. Parece comedia se lemos isso e pensamos na cena que milhares viram. Mais na verdade boa parte dos que vivem dominados pelo medo dos Ginajis (espiritos) pensam dessa forma. satanas tem sentado nesta area da terra por seculos.

2- QUEM SAO E O QUE PODEM FAZER , OS DOMINADORES DE ALMAS.

Um Sunkunya nao se faz afirmou um fulani que entrevistei sobre o assunto, com cautela ele explicou que uma crianca ja nasce com poderes que so com a pratica e o tempo o povo apontara para ela chamando-a de Sunkunya.
O mesmo acrecentou que uma certa vez uma crianca numa brincadeira de rua crianca comecou a tocar nos seus colegas e reconheceu a qualidade do sangue, tocando numa ela percebeu que nao conseguiria controlar e outros na linguagem do fulani que descreveu o acontecimento o sangue da segunda crianca era doce sendo de facil ascesso e dominio.
A maior parte do trabalho dos sunkunyas constitui de feiticos a quais sao formas de poder ou influencia lancadas sobre pessoas para faze-las agirem de acordo com a vontade de quem fez o feitico.
Segundo a Finaatawa (tradicao) se uma pessoa for tocada por um sunkunya ele tera sua alma roubada e dominada. Alguns podem se transformar em passaro e durante a noite, os que viram da testemulho que viam fogo sair do corpo do passaro ao ponto de clarear o ceu durante a escura noite do Sahel Africano. Os sintomas de alguem que foi tocada por um sunkunya e teve sua alma dominada sao:

Dor de cabeca
Tontura
Vomito e dores no estomago
Diarreia
Febre alta
Pavor e medo


3- ARVORE SUNKUNYA UM REMEDIO DE LAGRIMAS.

A maior parte das pessoas que foram tocadas acreditam que queimando as folhas da ARVORE SUNKUNYA no momento que a fumaca subir aos ceus, onde estiver o sunkunya que dominou a sua alma ele vira. As vezes mesmo num raio de 3 km o individuo vira chorando pedir perdao e devolver a alma da vitima. Isso deve ser feito o mais rapido possivel antes que a morte chegue a pessoa dominada.


4- LAR DE APOIO AOS SUNKUNYAS

Existem cidades inteiras composta de sunkunyas espalhadas em todo Oeste Africano. Os moradores de Ouagadugu capital de Burkina Faso pais a qual trabalho como missionario, nao sao de acordo com a maudade causada pelos dominadores de almas. Alguns chegam ao extremo de espancar se avistar na rua um desses passaros voadores. Prova disso que ha dois meses atras o governo inaugurou uma casa de apoio se e que posso nomear desta forma. Os individuos portadores deste poder passaram a viver juntos numa propriedade onde recebem alimentacao e moradia deixando os demais habitantes da capital em paz.
O que levou as autoridades Burkinabes a criarem esta casa de apoio foi a crenca uniforme que os sunkunyas existem e reperesentam uma ameaca para o bem estar da populacao.

Conclusao:

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; e sobre os que viviam na terra da sobra da morte raiou uma luz. Mt 4:16

Meu coracao remeche so em pensar na dor que passa um habitante da terra da sobra da morte, que o Santo Espirito direcione a igreja no Brasil e no mundo a verdadeira compreencao da sua tarefa aqui na terra. Ate quando os Sunkunyas que vivem nas trevas viverao assim? Diariamente centenas de pessoas constraoem suas casas na terra da sombra da morte.

. . . Para isso o filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do Diabo. I Jo 3:8 b

Acredito que um dia os dominadores de almas seram transformados em Ganhadores de almas para o reino de Deus mais isso so sera possivel se orarmos para que o poder do inimigo seja quebrado atravez da vitoria da igreja do Senhor no Oeste Africano.

O cordeiro morreu e ressucitou, Ele merece toda gloria e atencao de seus fies seguidores para assim terminarmos nossa missao. assim espero que este artigo sirva para municiar os guerreiros de Oracao em todo Brasil para combaterem em intercessao pelas almas que vivem aprisionadas.

Cristiano Carneiro da Silva
sexta-feira, 7 de setembro de 2007

...Entao quem pode ser salvo? ... Para os homens 'e impossivel ; com tudo nao para Deus,
por que para Deus tudo 'e possivel. Mc 10:26,27

Paz do Senhor !

O Desejo de meu coracao durante este mes de Agosto foi atendido, pois vi a chuva cair
de forma abundante sobre essa terra seca e carente de agua. Foi dificil ver varios de meus
amigos (Fulanis e missionarios) doentes com a malaria que nao escolheu quem deveria
ficar de cama.

1- Obreiros no norte- Visita de missionarios

Recebi a visita dos meus amigos brasileiros que moravam na Capital, vinheream para ver o
Norte de Burkina e tambem para ouvirem se Deus deseja que eles trabalhem aqui no norte.
Durante este tempo estive resistrando alguns filmes que pretendo enviar logo logo
para ser passado nas igrejas do Brasil. Foi um tempo de muita reflexao sobre a obra entre os
fulanis e vimos os desafios a qual Deus tem nos dado. Que a vontade do pai seja feita nesse lugar.

2- Termino da plantacao de Gawri(milho tipico) e estudos cronologicos.

Terminei a minha segunda parte do trabalho no campo de milhet, agora posso descansar um pouco e
ensinar a bilibia com mais calma e dedicacao. Tenho particulamente visito resultados em nossos estudos
cronologicos, pois os ouvintes estao sendo tocados pelas Historias do antigo testamento. Muitas
das lembrancas sobre abraao, Isaque e Jaco sao erroneas e tiradas do Alcorao entao os ouvintes
tendem a acrescentar algo mais aos relatos biblicos, isso tem dificultado pois devo sempre esta
dizendo que a versao verdadeira e a que a Biblia nos mostra e etc... Orem para que outros
fulanis manisfestem interesse por participar desses estudos em minha casa.
Lembro - me que o povo admirou-se do ensino de Jesus e maravilhavam-se de sua doutrina, pois
ensinava com autoridade e nao como os fariseus e escribas.


3- Perdao, a maior diferenca entre o Isla e o Cristianismo.

Os irmaos lembram do jovem Haman a qual escrevi na carta passada? Ele insultou-me
chamando -me de mentiroso e negando a trindade, Nesse mes tive conversando com ele mais
uma vez e foi uma otima oportunidade para lhe perdoar e aceitar que ele tambem se arrependeu
de haver dito as palavras impensadas. (Haalaji bondi). Com isso pude mostra a diferenca entre o
Cristianisnmo e o Isla, essa diferenca e o perdao a qual Deus nos da e nos chama para sermos agentes
do perdao na terra atraves da morte e ressurreicao de Jesus seu filho. Agradeco por cada um que orou
por este jovem.

4- Yeewende vs Endam ( Solidao vs comunidade)

A maioria dos semi nomades fulanis vivem afastados das grandes vilas, a forma de isolamento a quais
eles vivem e bem particular da cultura. Um velho homem pode viver so no meio dos matos sem nunca sai
para a vila mais proxima, por outro lado a comunidade deve ser bem estruturada em torno do Wuro (Casa
e parentes). Eu particulamente estou me engajando nessa dualidade fulani desde que sai do vilarejo mais
proximo (Djibo) para viver com os fulanis em Bagadumba( 7 km de Djibo). Gracas a Deus terminei a casa
e esta faltando alguns retoques e os moveis, ainda nao tenho banheiro em casa e preciso fazer um
pequeno muro ao redor para nao ser icomodado pelos animais que chegam e fazem o maior barulho
no pe da porta, mesmo os viajantes como ontem fizenram oracao mulcumana na porta da minha casa
mesmo sem eu lhes da autorizacao. A vida em comunidade e bem simples, basta imaginar um local
sem eletricidade, sem agua e onde a tecnologia e zero. As conversacoes sao valorizadas e a amizade
e melhor que o programa de domingo na televisao ou coisas que tem substituido a boa relacao
em nosso seculo. Escrevo isso para que os irmaos tenham uma ideia aproximada de como e
esta entre os povos nao alcancados dentro da janela 10.40.
Comprei umas mudas de arvores para plantar no quintal da casa, durante o verao nao tenho sombra
por perto por isso colocarei um baoba e uma pe de goiaba para fazer uma sombrinha camarada.

Este mes depois de dois anos aqui em Burkina estarei indo fazer uma visita a um amigo que trabalha no
Niger entre os Shonghais, estejam orando para que tudo corra bem e segundo a vontade de Deus.
Quero que este seja um tempo de refrigerio para todos as quais fazem parte de meu trabalho aqui.

Pedidos de oracao ;

1- Orem para que o Senhor concretize com paz e seguranca todo proscesso de colheita a qual iremos
realizar.
2- Preciso de oracao durante este tempo de viagem ao Niger.
3- Por Belko um velho que estou orando pela sua cura, ele sofre de uma doenca nos pes.
4- Continuem a orar pela vida do Adama. O ex lider mulcumano que esta com cancer.
5- Por uma boa com os mantenedores deste ministerio.

No amor Daquele que jurou por si mesmo abencoar os povos da terra.


Cristiano Carneiro da silva.
BP 112 Djibo Burkina Faso



GARIBUS
OS MENINOS DE PLÁSTICO DO ISLÃ

O que acharíamos se encontrássemos centenas de crianças entre 05 a 15 anos nas ruas, sem utilizar drogas, sem armas, sem bastões para fazerem marabalismos nos sinais de trânsito. Pelo contrário, munidos de marmitas, um pedaço de madeira com textos alcorânicos em árabes e, olhos cansados de ler sobre a luz da fogueira até altas horas da noite.

Existe uma grande diferença entre os meninos de rua do Brasil e os que costumo receber na minha lojinha que abro no mercado de Djibo todas quartas, onde faço evangelismo . Foi observando os mesmo que nasceu este artigo: Garibus os meninos de plástico do Islã.

Na vila que trabalho atualmente depois das vacas e ovelhas o que mais encontro nas ruas empoeiradas são os Garibus , termo em árabe para os pequenos discípulos do Islã. Substituirei o termo Garibu pela sigla M.P.I (Meninos de Plásticos do Islã) criei essa sigla devido à resistência e elasticidade e durabilidade destas crianças. Dormem em qualquer lugar, comem o que tem, se ficam doentes são curados ou morrem sem ajuda de médicos.Então exclamei: são de plásticos! Comecei a ter contato com os M.P.I assim que cheguei aqui em Djibo, todas as noites uma voz triste e apagada gritava na escuridão palavras de bênçãos e súplicas por alimentos em fulfulde tais como:

Allá hokke cella – Deus lhe dê saúde
Allá windu baradi – Que Deus escreva uma benção
Allá beydu jam – Que Deus ajunte a paz
Garibu Alsilaami – M.P.I do islamismo
Hokaram Nyiri, Maaro etc – Me dê pirão de milho, arroz etc.

No início foi difícil dizer algo para os M.P.I que chegavam a minha porta, pois o conhecimento da língua era limitado, hoje sei que quando não temos nada para dar ou mandá-los embora basta dizer Allá Newu (Que Deus providencie para você) nunca um M.P.I vai olhar nos seus olhos e dizer algo, eles sentem vergonha a escuridão da noite proporciona o esconderijo perfeito para as frases de agradecimento que citei acima.





ORIGEM DOS M.P.I

Segundo Yakuba um fulani que me auxilia no estudo da língua, os M.P.I não são citados no alcorão (livro sagrado do Islã) Mohamed nunca ordenou que um grupo de crianças fosse ensinado nas condições mais precárias possíveis para ser um mulçumano no futuro.

O líder dos M.P.I segundo a tradição islâmica local é o Marabu uma espécie de professor que utiliza métodos arcaicos para o ensino do alcorão, a ponto de maltratar as crianças caso citem um texto errado. Um dia escutei de um Marabu na rua discutindo com um cristão as vantagens que tinha em ser um M.P.I, ele afirmou que se caso a Criança crescer no nível de Árabe ela poderia ir para o Egito. O mesmo Marabu afirmou que cada família que envia um de seus filhos para estudar o alcorão Allá abençoará e prosperará sua descendência no presente e porvir.
Como isso todos os verões período mais quente do ano aqui no Sahel (45 C) centenas de crianças do sexo masculino chegam a Djibo vindo de vários vilarejos distantes às vezes cerca de 150 km para se engajarem nesse estudo em média de três meses.

Muitos caminham a pé esta distância entre desertos e matas para chegarem aqui não se importando com a dureza e os perigos que às vezes alcança-os.

O DIA A DIA DOS M.P.I

Fajiri em árabe trata-se do período entre 6:00 às 9:00 horas da manhã nesse período eles já estão de pé até mesmo antes para fazer a primeira oração mulçumana do dia, o segundo passo do dia é sair de casa em casa ou ir ao mercado mendigar alimento usando o nome de Deus. Em Djibo o que resta da janta é usado como café da manhã para a maioria das pessoas então; mais uma vez eles terão o que comer.

Durante à tarde é livre até às 15:00hs quando devem recomeçar suas atividades de oração e leitura do alcorão. Em certo aspecto à tarde é um pouco “livre” sendo o momento de buscar madeira para a esposa do líder fazer a comida,vale salientar que eles não participarão dessa refeição;o trabalho continua onde eles passarão a vassoura no quintal da escola e preparará o fogo para a longa jornada noturna que começará em seguida quando o Sol deitar. Outros vão tomar banho no rio próximo e lavar suas vestimentas.

Laasara é o momento do dia entre 17:00 às 19:00hs a escuridão chega e um novo mundo se abri para os M.P.I é hora de procurar algo par forrar o estômago e sobreviver mais uma estafante noite de estudo do alcorão. Todos os pequenos restaurantes de estrada que são típicos aqui na África são lotados de M.P.I que esperam um resto de comida para escapar mais uma noite. Muitos ganham o Hirande (Janta) como o prato principal do dia, isso se forem sucedidos na busca.

“ FELIZ AQUELE QUE PEGAR OS FILHOS
E OS DESPEDAÇAR CONTRA A ROCHA. “SL 137:9”.

Conclusão

Hoje entendo um pouco mais sobre os M.P.I. O que posso fazer? E como podemos mudar esse quadro tão triste a qual somos confrontados? Não é só em Djibo mais em todas as vilas do Sahel encontraremos crianças como as que descrevi aqui. Se perguntarmos para um deles: Qual é seu herói preferido? Eles em uma só voz pronunciarão o nome de Osama Binladen. É o único exemplo de vida que os mesmos tem para seguir pois nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Mais do que missionários eles necessitam de alguém que os amem da forma que são e nas condições que vivem. Paciência é uma arma importantíssima entre os que profitam algo entre estes meninos pois, vários são escravizados pelos Marabus chegando a sacrificarem sua própria vida pelos líderes. Caso algum venha a se converter aqui teremos que ter uma estrutura para dar um apoio e discipulado isso requer tempo e paciência.

Temos recebido em nossa casa alguns M.P.I para um estudo do antigo testamento através de cassetes e livros ilustrados ajudando a memorização. Ao retornarem para o vilarejo serão confrontados com a família e se encontrarem algum cristão terão a oportunidade de se congregarem e compartilharem o que aprenderam sobre Moisés, Abrão e Jesus.

Acredito que este artigo servirá de alguma forma para mudar a situação dos M.P.I e orientar a igreja brasileira e os amantes de missões em direção a intercessão que toca o coração de Deus e movimenta sua mão em direção as crianças as quais pertencem o reino de Deus, como Jesus disse em suas palavras.

Meu desejo é ver um dia os M.P.I no céu vestidos com vestes brancas e não mais rasgadas, cantando um novo cântico e não com lamentos com palmas nas mãos em vez de tábuas de madeiras, encontrá-los no céu com um sorriso e um rosto transformado a qual não expressarão tristeza nem dor.

Cristiano Carneiro da Silva


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