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terça-feira, 6 de setembro de 2011

ERAM CEM OVELHAS

Graça e Paz !

Antes de escrever minha carta mensal pensei sobre como vocês estão ai no Brasil, mês após mês temos escrito e pouco sabemos sobre os que lêem nossos informativos. Para os que respondem através dos e-mails parabéns, outros que falam sobre nós em oculto com o Pai só temos que agradecer. Aqui apesar de não termos praias o clima e os desafios oscilam como as ondas do mar, o fato de estarmos em Burkina Faso não nos torna mais importantes que os que estão dia a dia atrás de um balcão, limpando a casa, administrando uma empresa, desempregados etc... A GRAÇA de Deus é manifesta tanto em nós como em Vós.

Quando saio para ajudar o campo de milho(Gawri) de uma senhora viúva e sinto o sol, poeira, coceira da palha do milho no corpo penso o quanto era bom esta sentado no mercado evangelizando através da literatura e debatendo de vez enquanto com os Marabus ( lideres mulçumanos), muitos passaram todo mês trabalhando sem beber água devido o jejum islâmico. Sou levado a adorar a Deus no final de meu trabalho seja sentado evangelizando ou capinando com Yero, ou servindo um chá típico aos boiadeiros que visitam nossa casa diariamente.

O Tempo de inverno no Sahel é rápido e devemos reorganizar nossa vida assim como o povo, como os fulanis são semi-nomades, muitos mudaram com os animais a procura de pasto, água e tranqüilidade, pois se as vacas invadirem as plantações de milho (Gawri) a confusão será grande. Nossos animais, que não são muito, também seguiram as vaquinhas do Alay e só depois de uns três meses retornarão a Burow, teremos que esperar nossa fonte de leite engordar e ganhar mais um bezerro e assim aumentar o bando.

Os lugares que antes passávamos de moto com facilidade foram alagados e um barquinho de madeira nos ajudar a chegar a Turonaata. Eu não gostei da idéia de entrar em barco pois não sei nadar e fora os bichos que encontramos na água (jacaré, cobras etc ...) o negocio é que o Amadou estava com três semanas que não vinha em nossa reunião dominical, fiquei preocupado e ao mesmo tempo fui adiando a ida a Turonaata. Na verdade sabia que o caminho estava obstruído pela água e seria duro cortar os 25 km que nos separavam, ( e ainda assim Deus me escolheu para ser missionário, olha ai ....) certa tarde refletindo na parábola das 100 ovelhas a qual o homem perdeu uma e saiu desesperado a procura dela, disse a mim mesmo,o pastor lá tinha 99 outras ovelhas no aprisco e mesmo assim foi a procura de uma, quanto mais eu que não tenho nem 5 pessoas na igreja. Levantei-me e fui visitar Amadou e seus amigos que no verão vinham escutar sobre Jesus, chegando lá vi o motivo sobre a falta de assistência nas reuniões. Oramos juntos, pois a esposa do Amadou perdeu seu recém nascido (acho que foi malaria) aconselhei um pouco sobre o jejum que ele estava fazendo e que esse dever Jesus já havia agradado a Deus o suficiente e nossos trabalhos nessa terra não passam de sujeira diante DELE. Amadou estava fazendo o Jejum apenas por respeito a seus parentes que são mulçumanos e os demais de seu ambiente social. Também devido o cultivo do milho(Gawri) e o cuidado dos animais no período de chuva estava dificultando sua vinda aos cultos.
Elimércia aproveitou a oportunidade de aprender uma atividade local que constitui de fabricar tecido de algodão típico, junto com Chaluix esposa de nosso Líder e mais duas mulheres da Etinia Moussi. Agora ela esta vendo como adaptar o conhecimento do curso a situação que a mulheres fulanis vivem e criar no futuro uma fonte rentável para as tais. Orem por direção e aprimoramento no manuseio do tear (Instrumento de ferro usado para trançar os fios) estamos a procura de um barato e resistente para Mércia melhorar seu conhecimento e assim poder com segurança ensinar as demais mulheres.

No amor Daquele que Jurou abençoar todos os povos da terra ... Hb 6:13

Cristiano e Elimercia









quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não Jureis... A Tradição do Tapa Dewtere

Um País onde a maioria é analfabeta qual será a utilidade dos livros? Certa vez estava viajando para o interior do Ceara quando percebi um vendedor de jornal que gritava para os passageiros do ônibus : Olha o Jornal .... Olha o Jornal ...

Um individuo mal humorado disse ao jovem, ninguém esta interessado em jornal aqui não camarada pois são todos analfabetos. O pobre vendedor olhou para ele com força de vontade e disse: Rapaz, e quem disse que era para ler? Compre e veja apenas as imagens.

A frase do vendedor calou o senhor que havia tentado acabar com a venda do simples jornaleiro e ao escutar sua frase pensei como o povo é perseverante.

Dois eventos que vivenciei me ajudaram muito a compreender um pouco sobre o conceito de livros entre os fulanis.

A primeira vez foi quando um Velho Boiadeiro nômade no mercado de Nasumbou (15 km de Burow extremo norte de Burkina) sorrindo afirmou que o Fulfulde não poderia ser escrito nunca. Ele levantou-se com seu cajado e começou riscar o chão, três traços longos foram feitos e após isso ele indignado disse leia isso ai Branco! (Tubaaku). Fiquei sem saber o que isso significava e francamente disse que não sabia, o Boiadeiro disse assim somos nós quando vemos estes objetos que você chama de livro. Triste continuei a estrada em direção a minha tenda onde passaria a manhã com o alto falante, cassetes e imagens que contavam as Historias do Antigo testamento. Naquela hora não respondi o velho homem que permanece em sua ignorância até hoje.

O segundo foi em Burow mesmo um soldado parou-me na rua central do mercado e questionou-me sobre os livros que eu vendia, ele queria saber se entre os livros eu tinha o Alcorão. Eu respondi que não, pois não existia uma tradução em fulfulde. O homem disse que jamais um livro santo como o Alcorão seria traduzido para esse idioma de pobre, rapidamente discordei com ele e disse: então seu Allah é analfabeto, por que o meu deseja que todos compreendam os seus mandamento e obedeçam na sua própria cultura. Toda nossa conversação foi em Francês já que o policial era Moussi e não falava fulfulde, depois disso continuamos falando de outros assuntos e deixamos os livros de lado.

O alcorão é um livro mais que sagrado para os fulanis ele é místico e poderoso, quando uma pessoa esta doente ou com má sorte basta pedir um trecho liquido para beber uma vez que o individuo não sabe ler. O Moodibo (líder islâmico) escreve numa placa de madeira, tinta de carvão, saliva e perfume e depois vende por uns R$ 5,00 o preço varia dependendo da fama do charlatão. Alguns pela ignorância morrem bebendo essa água suja crendo que serão curados quando na verdade estão sendo enganados e fazendo mal para saúde.

Para concluir descobri recentemente que quando alguém tem duvida ou esta querendo ganhar algo na justiça tradicional basta chamar o Moodibo, pagar R$ 60,00 e diante de testemunhas jurar batendo no livro (Alcorão) afirmando sua inocência ou acusando a vitima. Por exemplo certo homem que viajava muito toda vez que chegava desconfiava de sua esposa que por vezes ficava só em casa nas suas ausências, se ela tinha lhe traído durante esse tempo. Para resolver o problema eles se reuniam e a esposa devia jurar pelo Dewtere Kurana( Alcorao) que não havia traído seu esposo. A Senhora fez tantas vezes isso que um belo dia ela pediu a seu marido para jurar diante do livro que ele também lá onde esteve viajando não havia traído ela. Desde esse dia o marido pediu divorcio. Caso alguém bata no livro e jure sendo que esta errado, segundo os fulanis essa pessoa morrera dentro de poucos dias.

Haawa uma viúva pobre teve que comparecer diante do juiz e do livro para afirmar que após a morte de seu marido ela não roubou nenhuma vaca e que todas as cabras que possui hoje são dela e de seus filhos. Uma vez que quem morreu na historia depois que houve a reunião foi o irmão do Moodibo que já estava doente e desesperado atrás de remédios em todo país, todos ficaram assustados com o acontecimento. Na segunda reunião(Batu em fulfulde) ela saiu vitoriosa sobre o filho do falecido que veio de Gana(País vizinho depois de passar 13 anos longe , alegando que todos os animais pertenciam a seu pai.

Livros devem serem respeitados, bebidos, batidos com juramento e etc... menos lido. África precisa de educação e ação consciente de todas as implicações que estão por traz de um simples LIVRO. Afinal de conta é um cultura Oral voltada para o passado e não para o futuro.

Cristiano Carneiro Ouagadougou 12/08/2011


terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Vitoria de Haawa


Burow – Norte de Burkina Faso Julho – 2011

Graça e paz do Senhor.

Quando trabalhamos juntos em oração com os demais em nosso país sempre teremos respostas diante de nosso Deus.

A primeira frase que Haawa e Yero disseram ao retornarem da reunião com o Cheik onde dividiriam a herança foi: Paate Duaawu maa Jaabama. (Cristiano Sua oração foi aceita) no mesmo instante pensei comigo mesmo ‘se eles soubessem que não foi apenas minha oração mais de vários irmãos que estão lá no Brasil’.

O resultado final do veredito dado pelo marabu (líder Islâmico) foi que Yero continua sendo o dono das cabras e a Viúva terá direito a metade do dinheiro da venda de uma vaca. Em fulfulde tem um provérbio que diz Eelgal mangal bassal mangal (grande ganância , grande problema) O filho do falecido muito quis com sua ganância e alem de tudo terá que pagar os marabus pelo trabalho e dividir uma vaca com Haawa. Vi que Deus continua no controle da Africa e sustenta como bem deseja apesar de nossas fraquezas, pois meu desejo era resolver esse problema de divisão de bens segundo nossa cultura brasileira, fora a injustiça que estavam fazendo com a pobre viúva. Obrigado a todos que oraram e sofreram juntos durante todo tempo.

Esse mês foi marcado por coisas boas e ruins, no caso citado acima tudo terminou em alegria. Para outros a queda de um caminhão carregado de produto tóxico na barragem de Djibow, trouxe preocupação a todos lugarejos próximos de Burow. Como estamos no período de chuva rapidamente o produto pode se expandir causando morte da vegetação, animais e caso alguém desinformado ou teimoso beba, a morte certa.

Bukina faso tem vários locais de extração de ouro, à 15 km de nossa casa tem uma mineradora que utiliza produtos tóxicos para limpar o ouro e os funcionários roubam para venderem aos que vivem a procura de ouro aos arredores da mina. Duas pessoas morreram semana passada por causa de água contaminada, o mau manuseio desses produtos acarreta um grande risco do meio ambiente.
Como a água esta sobre alerta de contaminação o número de pessoas que usavam água do lago caiu bastante e hoje nas bombas publicas de água estão lotadas. Passamos horas na fila às vezes, para conseguimos água potável, aproveitamos para conversar com o povo e compartilhar que os brancos não são os únicos culpados pela poluição dos rios e que nós também sabemos que o povo passa. E Se nos sabemos, quanto mais Jesus que os criou.

Pedidos de oração:

• Agradeça a Deus pela equipe medica que trabalhou durante o mês de Julho atendendo mulheres, Crianças, mostrando misericórdia a varias etnias de Burkina.

• Ore pela vida dos fulanis que estão fazendo parte das reuniões ao domingo aqui em casa, próximo mês será o teste para todos, pois durante 30 dias os mulçumanos estarão jejuando. Que Deus possa fortalecer a fé deles nesse tempo.

No amor Daquele que Jurou por si mesmo abençoar todos os povo da terra Hb. 6:13

Cristiano e Elimércia da Silva
sexta-feira, 8 de julho de 2011

FILHO DA CHUVA


Norte de Burkina Faso 08-07-2011


Graça e Paz do Senhor !

Bii yowoonDe é o nome de um besouro vermelho menor que uma joaninha e só aparece depois da chuva. São raros, é como diz o nome ‘filho da chuva’, são difíceis de encontrar em Burow onde chove apenas três meses. O bii yowoonDe nos anuncia a chegada do ndungo(inverno) e de muito trabalho para o povo. Uns devem plantar, outros pastorar e em casos extremo, viajar. Os animais devem sair dos campos onde serão guardados por pastores.

A curiosidade é que ninguém sabe de onde vem os bii yowoonDe, se vem junto com a chuva do céu ou da terra, um misterioso inseto, ele avisa algo do céu ou da terra? Muita coisa aqui não tem explicação, assim como o bii yowoonDe o caso que relato abaixo é de se pensar...

Usumana era um jovem pastor de uns 25 anos que começou a freqüentar nossa casa, desde que mudamos para Burow ele vinha à procura de trabalho, e às vezes para tomar chá ou escutar musica. Preguei a ele algumas vezes, mas sem sucesso, a semente caia mas as aves do céu comiam. Há duas semanas muito me alegrei quando Usumana entrou em nosso culto, foi a primeira vez que choveu e para ele sua primeira olhada na reunião fulani parecia o penetrar da água da vida no solo tão seco.

Para poder deixar as vacas e vim ao culto Usumana disse ao pai que iria estudar francês, cultuamos e estudamos. Viajei para sacar o sustento na capital e quando voltei a noticia me deixou chocado, Usumana foi morto por um raio, ele tinha ido a um casamento e quando voltava foi apanhado por uma tempestade, tentando escapar da chuva entrou correndo numa casa mais o raio o alcançou lhe tirando a vida e de alguns animais que estavam no alpendre.

Para os que escutaram a pregação de domingo sobre a vida de Moisés em nosso culto e a forma que Deus tratou com o povo de Israel com respeito a murmuração, foi um susto quando anunciei a morte de Usumana como um aviso do Céus. Todos o conheciam bem e agora assim como o Filho da Chuva sua vida se foi, a congregação foi tocada sendo chamada a refletir sobre o quanto a vida aqui nessa terra é passageira.

Nós continuamos acompanhando o Jovem Yero o qual compartilhamos na carta passada, dessa vez tivemos que apóia-lo durante a divisão dos bens que o seu padrasto possuía. O filho do velho que anos viveu em Gana apareceu para herdar quatro cabeça de vaca que o pai deixou, a ganância foi tanta que o individuo não se satisfez e esta tentando tomar as cabras que a viúva possuía junto com sua filha e Yero. A justiça aqui é feita pelos Bruxos islâmicos e ate agora não temos resposta de nada, orem para que Yero possa receber aquilo que é dele e que sua pequena fé não venha desfalecer mesmo que o mesmo não confessou o senhorio de Jesus ele não perde um culto conosco.

Devido a toda tradição não podemos entrar nessa causa, apenas estamos orando e cuidando de Hawua que se tornou um mãe para nós aqui em Burow. Que Deus seja louvado mostrando misericórdia para com quem Ele quiser e justiça em seu devido tempo.

No amor Daquele que Jurou abençoar todos os povos da terra. Hb. 6:13

Cristiano e Elimércia





sábado, 11 de junho de 2011

Tradição...

Burow Mai/Jun – 2011

Graça e Paz do Senhor !

Burkina Faso não é um pais que persegue missionários , não existe policiais vigiando nosso culto e todos aqui tem liberdade para pregar o evangelho não importa onde. Por não haver uma boa comunicação alguns irmão pensaram estava havendo um perseguição contra os cristãos. É verdade que o Presidente entrou em vários conflitos com seus militares que reclamavam aumento de salário e coisas desse tipo, os professores , doutores e comerciantes seguiram os militares nas passeatas pelas ruas da Capital reivindicando abaixo de preços e aumento salarial. Ate onde sabemos nem missionário foi preso ou sofreu perseguição durante esse período, graças a Deus e mesmo que isso acontece-se seria um privilegio para seus enviados sofrerem por amor a Cristo.

YERO TETANTO FUGIR DA TRADIÇAO. Ser um fulani é viver um vida simulada pelo poder do PULAAKU (forma e filosofia de vida fulani). O pulaaku dita as regras de como você deve-se comportar na cultura, uma das regras e não demonstrar sentimento ou necessidades significa que mesmo se o individuo sentir dor ele não pode dizer aiiiiiiii!!!!! Se tiver fome mesmo tendo um prato de comida na sua frente ele deve dizer que esta cheio e farto negando a si mesmo o prazer de uma boa comida.

Há dois meses Yero começou a vim a nossas reuniões dominicais, vindo de uma cidade vizinha de burow a mais de 15 anos ele e seu pai adotivo moram aqui. Juntos cavamos um poço para regar as plantas e alimentar os animais, essa atividade muito nos aproximou e tornou forte as convicções de Yero com respeito a sua vida dentro da tradição. Ele vive como Boiadeiro todos os dias atrás das vaca e cabras que foram confiada a seu pai que a ate duas semanas estava vivo e como um forte seguidor da tradição recusou ajuda quando pedimos para ele ser levado ao medico. Sempre que chega a vez de Yero pedir oração no culto ele coloca diante de Deus a sua esposa que desde o casamento não aceitou morar com ele. Faz parte do casamento fulani a mulher deixar o marido após o casamento e ficar com a família, segundo o pulaaku o homem não pode mostrar-se fraco(sentimento) dizendo que precisa de sua dela para cozinhar, cuidar da casa e suprir suas necessidades como homem. Com o passar do tempo o fulani que seguiu essa tradição esta se abrindo para compartilhar e aceitar ajuda nem que seja dos seguidores de Jesus. Vejo que quando temos um relacionamento fundamentado na graça e não no interesse fica mais fácil para auxiliar pessoas como Yero saírem da fraca tradição que por anos lhe aprisiona.

O Desenvolvimento do nosso aluno da escola de verão tem sido rápido e gratificante , ele mesmo tem sido uma amostra para as demais crianças fulanis que se pode aprender a ler na própria língua sem deixar a família. (como os talibes fazem indo para longe de casa dizendo que estudarão o alcorão) Orem pela vida dele e de sua família que provavelmente se mudara para um outro campo durante a época de chuva, que todo ensinamento Bíblico possa brotar em seu coração e o conduza a vida eterna.

Termino agradecendo por todos que estiveram nos apoiando em oração durante o verão que foi longo e quente, louvado seja a Deus que começou enviar as primeiras chuvas para os camponeses poderem começar a preparar a terra para o plantio. Sem a cobertura vinda do Brasil seria muito difícil conseguir permanecer no propósito de discipular os povos e ver igrejas plantadas nessa região.

No amor Daquele que jurou por si mesmo que abençoaria todos os povos da terra Hb. 6:13 b

Cristiano e Elimércia

sexta-feira, 6 de maio de 2011

panela vem antes da igreja

Graça e Paz do Senhor!

As idéias erradas que cresceram na mente dos fulanis tornam o trabalho mais difícil. É mais fácil dar um pedaço de pão ou colocar pessoas em projetos enlatados vindo do Brasil.

Plantar idéias e lutar contra as que já existem exige dedicação, aprendizado da língua, um bom conhecimento cultural e uma total dependência da graça de Deus. Por exemplo, quando uma criança é enviada para estudar o alcorão com os marabus (lideres islâmicos) os pais acreditam que serão abençoados por Allá, enquanto as crianças mendigam nas ruas sujeitas a abuso físico, castigo, trabalho forçado o líder mulçumano vive como rei sem ter alguma comas infelizes crianças.

Durante dois anos temos tentado durante o verão alfabetizar e evangelizar crianças, esse ano Deus nos deu um estudante. Umaru tem 6 anos, vive com sua avó, um a menos nas mãos dos marabus.

Fayande ardo misiide – Provérbio Fulani (A panela vem antes da igreja)

Outro caso de idéia errada é o Abdramane, nas reuniões de domingo aqui em casa chegamos a vida de Abraão em nosso estudo cronológico expliquei a importância de ouvir a voz de Deus e obedece-lo, que devemos colocar nossa confiança inteiramente no Senhor (JoomirraDo) e não nos amuletos e rituais demoníacos. Após de concluir a lição dominical Abdramane exclamou: - E se deixar-mos os amuletos que irá nos proteger? Os amuletos são versos sagrados que comprados do bruxo (mestre islâmico) trazem sorte, proteção. Falei que uma vez que Abraão creu no Senhor tudo ficou por sua conta e da mesma forma nós devíamos fazer.

Nossa pequena igreja tem se tornado numa sala de aula, assim o provérbio que ‘a panela vem antes da igreja’ tem sido apagado pela educação que vem junto com a igreja.

Quando eles dizem este provérbio referem-se que deve dar comida para obter fiéis (panela), essa é uma armadilha que muitos caíram aqui no Sahel, mudar idéias de panela em livros é um desafio.

Aproveitando o dia das mães deixo aqui um resumo do dia-a-dia da mulher fulani.

1-Levanta -se cinco da manha para fazer a primeira oracao mulcumana.

2-Em seguida ela pila o milho para fazer o Pumari (cafe da Manha)

3-Esquenta o resto de comida da noite(Itol Hoyre) para as Criancas

4-Ela vai ao Curral tirar leite das vacas

5-Prepara o cafe da Manha

6-Ela Varre a Casa e o quintal

7-Ela lava os Kakes (Loucas do cafe da manha)

8-Ela vai ao poco encher os reservatorios de agua

9-Ela ajeita os temperos para o molho

10-Ela se ocupa de providenciar a madeira para o fogo

11-Si der tempo ela vai tecer os fios para fazer os tapetes tipicos (Nates)

12-A tarde cai e ela comeca pilar o milho de novo para a Janta.

13-Ela prepara o Nyiri (Comida tipica)

14-Ela vai buscar o leite e distribuir na vila, depois de jantar ela arruma o tapete para as criancas dormirem

15-Ela encontra tempo para conversar com outras mulheres antes de dormir

16Enfim ela dormi mais antes deixa o local da oracao das cinco da manha pronto (Juulirde)

No Amor Daquele que jurou abençoar todos os povos da terra (Hb 6.13)

Cristiano e Elimércia

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Carta De Oracao Marco Norte de Burkina Março de 2011


Graça e paz do Senhor.

Se alguém perguntasse o que fazemos no verão, a reposta seria, sobreviver.

O calor desta vez não veio com o verão apenas, as armas, pneus queimados, casas e lojas saqueadas, postos de gasolina, inquietaram o País fazendo a população esquecer o calor.

Nós não fomos afetados, graças a Deus, as ondas de protesto a favor da justiça no País não alcançaram Burow.

“Nós devemos pensar com o celebro e não com o nosso coração quando abordamos o problema da pobreza”E. Calvin

Louvamos ao Senhor por tudo que até aqui Ele tem feito através de nossas vidas com os fulanis. Este mês o Amadou foi abençoado com uma bicicleta que ajudará o percurso de 25km que ele estava fazendo a pé para vim a igreja aos domingos.

Alegrei-me quando os próprios fulanis pediram para serem alfabetizados após o culto, então estamos com três semanas que começamos a alfabetização dos que participam das reuniões.

Meu desejo é ate o fim do ano ver um líder sendo levantado entre eles, a alfabetização dos que participam tem sido útil para ver quem tem capacidade de assumir o que Deus tem começado aqui, cubram-nos com orações nesse sentido.

Quero terminar essa carta informando sobre o Projeto Verão Sem Medo. Ate agora temos apenas uma crianças que estudará meio período conosco, até a segunda quinzena de Abril estaremos dando inicio ao Projeto. Ainda estamos orando por 5 crianças até lá, que a vontade de Deus seja feita.

Orem por:

- Compreensão para os governantes de Burkina Faso;

-Por nosso líder Steve Davies, ele estarpa viajando e visitando os missionários de nossa organização durante os meses de Abril e Maio;

- Por nossa família;

- Por todos que cooperam com nosso ministério.

No amor Daquele que jurou abençoar todos os povos da terra. Hb 6.13

Cristiano e Elimércia

sexta-feira, 18 de março de 2011

BEBENDO O ALCORAO

Norte de Burkina Fevereiro de 2011

Deve-se beber o Alcorão?

Paz do Senhor esteja sobre os amantes da obra missionária que lerão à carta.

O que os mulçumanos pensam dos cristãos? Encontrei cinco pensamentos que os mulçumanos têm sobre nós:

1. Que somos perdidos (Sura 61:6);

2. Que somos mentirosos, porque dizemos que Jesus morreu. Coisa que o alcorão renuncia. (Sura* 4:157);

3. Eles crêem que somos enganadores e falsificadores da Bíblia. Justificando isso com a Sura 2:79;

4. Crêem que blasfemamos quando afirmamos que Jesus é o Filho de Deus segundo a Sura* 19:88-89 eles dizem que: “Deus misericordioso tem um filho, isso é verdadeira mente um monstruosidade da vossa parte”;

5. Nos consideram como idolatras. Dizem que adoramos o Pai, o Filho e Maria (Sura* 5:117).

A resposta a esses cinco pontos, mesmo sendo uma loucura para alguns, é amar.

Foi isso que me veio à mente quando no mercado pregando disse que Deus não deu o Alcorão (um livro) para o povo beber, mas sim para ler. Bebemos água, chá, cobbal (bebida típica) etc. não o Alcorão em forma líquida. Essa é uma pratica muito aceita entre os fulanis, o marabu (líder mulçumano) escreve os textos numa madeira e depois lava com água e perfume. Uma vez que as letras são tiradas do alual (tábua usada para escrever), coloca-se o liquido em uma garrafa de refrigerante e vende a R$ 2,50 dizendo que pode curar e trazer sorte. Quando o problema é grave o preço da naafisi (Alcorão líquido) aumenta chegando a R$ 200,00.

Que o Senhor abra os olhos dos que tem escutado a Sua Palavra e com sede possam tomar da Fonte de água viva.

Verão Sem Medo**. A busca por alunos.

Hassan é um sobrevivente do trabalho escravo que os chefes mulçumanos submetem as crianças aqui no Sahel. Todos que lerão meu artigo Garibus Meninos de Plástico do Islã*** sabem em quais circunstancias esses inocentes vivem enquanto enganados pensam agradar a Deus.

Ele e seu amigo foram estudar o Alcorão no Mali e após dois anos sem nada aprenderem voltaram ao Jeegoolji (terra dos fulanis ao norte de Burkina), o inesperado veio quando seu coleguinha morreu no hospital de Djibow.

Convidei-o para durante o verão passar dois meses conosco em Burow, onde aprenderá a ler e escrever em sua própria língua terá noções de higiene e uma introdução ao Pentateuco, Salmos e Evangelhos. Orem para que seu pai receba esse convite de bom grado deixando Hassam participar do projeto de verão.

Motivos de Oração:

  1. Orem pela vida do Hamadoum, ele sofre de epilepsia, começou a freqüentar os cultos de domingo. Que Deus o cure definitivamente e o nome de Jesus cresça na sua vida;
  2. Por nossa saúde, Elimércia adoeceu de malária pela primeira vez. Graças a Deus ela está bem e de volta as atividades normais;
  3. Por Pr. Paul que foi abençoado com uma moto pelos irmãos da Inglaterra. Ele tem usado a moto para visitar vilarejos e mostrar o filme Jesus. Vamos aproveitar esse mês para juntos passarmos o filme em alguns vilarejos do norte de Burkina;
  4. Pelos que contribuem com nosso ministério. Que o Senhor mantenha o seu povo fiel a causa e multiplique sua graça na vida dos mantenedores.

* Sura são os capítulos do Alcorão

**Verão Sem Medo, link:

***Meninos de Plásticos do Islã, link:

Da parte daquele que jurou abençoar todos os povos da terra... Hb 6.13

Cristiano e Elimércia

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Africa Espiritual

Acabo de ler o jornal policial de um pais visinho de Burkina, as noticias estavam misturadas com o lado espiritual e humorístico das coisas daqui. Logo na capa tinha a foto de um vendedor de produtos para tonificar os órgãos sexuais, uma cantora que ficou rica a custa de uma musica que os dijins (demônios) lhe deram a um cidadão que antes de morrer pediu que ela cantasse e ficasse rica mais que não se esquecesse de suas duas filhas menores, a cantora esta encrencada pois esqueceu as garotas depois que ficou podre de rica.

As demais noticias pareciam um relatório para o capeta, pois todas estavam entrelaçadas com o sabor do mundo espiritual. Os que leram o meu artigo sobre os Sukunyas Caçadores de Almas sabem que a cosmovisão (o jeito que o povo ver o mundo) é bem diferente da nossa cosmovisao ocidental.

Quando lemos um jornal colocamos a mão na boca e só cremos por que é real, meses atrás fizeram uma sopa bem diferente em uma cidade a vinte cinco km de Djibow, foi caso de policia e noticia ilárica para toda comunidade de fulanis que ouviram Iakuba Dicko (locutor da radio local) dizer que um homem quase comeu os pedaços de um pênis mutilado encontrado numa sopa que se vende na rua. Os Garibus, meninos que estudam o Alcorão (Ver artigo Meninos de Plástico do Islã) encontraram os pedaços de carne do lado da mesa onde o garimpeiro jogou depois de desconfiar da carne. O jornalista falando em Fulfulde disse Leijamana Boni, wala fuu ko neddo yiata katin ley adunaru, que quer dizer; Esta geração se estragou e não tem mais nada que não seja visto no mundo. Escutei essa noticia e fui perguntar ao Idrisa (Aluno do verão sem medo) que atualmente mora conosco se o que Iakuba disse é realmente o que eu ouvia escutado, aiosim, confirmou indignado dando um sorriso e dizendo que nunca mais tomara sopa. Tudo isso só para ficar mais rica e conhecida , disseram os fulanis atribuindo o fato as feitiçaria das bravas.

Um dia assistindo um filme senegalês vi o quanto essa África espiritual é real , O filme dizia a respeito de um bando de ladrões que roubavam na França, ate ai tudo ação, trama, um personagem principal perfeito parecido em tudo com uma produçao Holywoodiana, mas de repente o filme muda totalmente para o que o povo gosta (misticismo), o bonzinho do filme deveria se transformar em um tigre num ritual junto com uma mulher que estava mais para mulher gato do que para pantera. Os dois enfrentariam um naasara (branco) que estava sofrendo mutação e transformando-se em cobra, ritual para o vilão que foi iniciado pela sua esposa africana, ritual para o principal do filme que foi recrutado por um vidente até uma ilha e assim através de orgia sexual conseguiria tornar-se forte como o tigre. Final do Filme o casal tigre ganha da serpente e todos que assistiramm confirmaram que nada nesse mundo depende do material.

Material mesmo foram os machados que a policia de Ouagadougou teve que reconher da casa de um bandindo de 26 anos que estava matando pessoas e oferecendo para o ´´deus machado´´. Segundo os fatos o individuo entrava na casa das pessoas e ninguém o via sair com os roubos, uma espécie de força oculta que dependia dos mortos pelos machados do deus dele. Um pastor da Assembléia de Deus foi a até a casa dele e depois de orar Deus revelou que o ídolo que estava no quarto deveria ser quebrado e queimado. Quando o povo do quarteirão aceitou a libertação, pronto! O poder do maníaco se quebrou no momento até que uma serpente de fogo voou da casa. Esse foi o relato do povo quando perguntei sobre detalhes do homem ´´THOR´´. Ate a policia tem que cooperar com os Pastores daqui para solucionar casos desse tipo.

Por ultimo queria compartilhar o caso do Tijaani, um jovem que diariamente passa em frente minha casa arrastando uma corrente nos pés. Ele esta sofrendo com esse problema anos apos que seu irmão se suicidou, o divorcio repentino e as idas de seu pai ao bruxo atrás de solução só serviram para aumentar a opressão que o pobre já sofria. Ele passeia no mercado, as pessoas batem nele pois como esta sobre o domínio do inimigo não esta ciente do que esta fazendo com os demais na rua. Para um fulani é uma vergonha ser amarrado como um animal, penso na situação vergonhosa que sua família esta vivendo e gostaria de pedir sua ajuda em oração pela libertação.

O verbo Duurude é usado para pastorear os animais, no caso do Tijaani é seu pai que duura mo (que lhe pastora). No domínio espiritual ele tem misturado muita coisa (evangélica, bruxo, etc...) no domínio material ele tem aceitado tomar as injeções no pequeno consultório médico local, isso tem dado melhora, mas ate agora os parentes não querem tirar as correntes.

A África espiritual esta contando com pessoas que estejam dispostas a entender e crer que existe uma solução bem na raiz, nos fundamentos que foram plantados pelo animismo e pintados pelo islamismo folclórico.

Cristiano Carneiro

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